Ouço que é preciso esperar
Uns nítidos dragões de primavera,
mas à minha porta eles viveram sempre,
Claros gigantes, líquida semente no meu pouco de terra.
Este é um tempo de silêncio.
Este é um tempo de cegueira."
Hilda, tão atual.
Isadoríssima: grau superlativo absoluto sintético de ser Isadora
Após um mês de férias pegando onda no Havaí e balangando na rede, uma super esticadinha no Festival de Inverno como membro da excursão da Tia Eliane com a ala feminina do Hospital Psiquiátrico, estou respirada. Assim, renovando a fé, curtindo uns sons, tentando empinar pipa e, principalmente, nos aventurando a sair de casa. (Bem Los Hermanos).
Hoje, por exemplo, tá rolando o último dia do Festival de Jazz na Savassi, super evento, com estruturas patrocinadas por empresas locais e de música boa e de qualidade em espaço público, sensacional, não fosse a minha gentofobia. Andei refletindo novamente sobre as multidões. Sei lá, fiquei pensando se cada cidadão chinês quisesse ter o seu próprio carro, seria muito doido.
Há lugares que fazem parte da nossa história e Ouro Preto é um deles. Entre os acontecimentos impagáveis (nem Mastercard!) de estar com amigos de verdade, numa troca afetiva ímpar, as mesmas imagens: Festival de Inverno de Ouro Preto.
As primeiras reflexões foram sobre a loucura. Veio à minha mente uma frase de, salvo engano, Fernando Pessoa no Livro do Desassossego:"Os únicos que dizem a verdade são as crianças e os loucos.
Pois os loucos são aprisionados, e as crianças educadas, sensíveis."
Acho que o problema com a loucura é de ser aprisionada. Talvez se não trancafiássemos nossos loucos em instituições psiquiátricas, sociais e culturais, teríamos menos gasto com a saúde pública. A loucura deve permanecer solta, pronta para ser transformada, meio Forrest Gump, atravessar continentes.
Não sei. Talvez o Cristiano Psico saiba me dizer as questões sutis em que se tangenciam a loucura e a arte. Meio Bispo do Rosário, meio Tom Zé. ( Ah, vou ficar aqui ouvindo meus Secos e Molhados, pois "louco é quem me diz"...)
E que sejam bem vindas as novas loucuras de segundo semestre, passado o Dia Fora do Tempo, iniciamos novo ano Maia, afeitos e afetos às loucuras, as novidades, as verdades, e aos bons encontros com os amigos, estes sim, geradores de potência. Que a loucura seja criativa, transformadora, produtiva, alimentadora. Uma grande mãe para a a gente mamar.
O Poema
Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na
[floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição
[de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.
Mario Quintana
In: "O aprendiz de feiticeiro"

Fim de semana Punk Fim de semana de pura atitude Rock&sex&drugs.Tudo muito corrido, quinhentas mil coisas para fazer.Mas valeu a pena, novamente, mais um grande encontro de amigos no circuito Maletta, Cine Humberto Mauro, Sta Tereza, Jack Rock Bar com muito rock Raul e Beatles, com direito a se perder na madrugada da cidade.
Pra quem é adepto do versinho dos Los Hermanos: " para nós dois sair de casa, já é se aventurar..." eu tô demais mesmo. Muita agitação, burburinho da cidade, das potências pessoais. Mas vá lá, também a alegria e a poesia, com os amigos.
E ainda tem as lidas pessoais, das vozes internas, dos momentos circunspectos, da necessidade e/ou possibilidade da criação.Acaba que vida de escritora não é fácil mesmo, pois é difícil ser autista, aliás, é um grande aprendizado ter que matar personagens, ter que fingir que é, depois que não é, confundir o texto, o diálogo, o tempo, o cenário, tudo nesta simultaneidade da rede. Ufa!
Dói no coração da gente, afinal tem toda aquela carga emocional, a famosa busca do real e do irreal no texto. Tem hora que tem que parecer verdadeiro, mesmo sendo ficção e tem hora que é puro soco na cara das verdades ditas (tipo Ana C.) fingindo que não são. Ai Jesus,acende logo a Luz que amanhã é segunda feira, e de tanto rock meu coração tá bem punked. É como diz Tayler Durden:"This is your life:
P.S.Dou moral mesmo é para a Marla.

O corpo e a multidão
Não quis nem saber: peguei o ônibus na Pça da Liberdade sentido campus da universidade para ver o Grupo Corpo, afinal eles estavam se apresentando na reitoria da UFMG, imperdível.Desci no campus, as escuras (pois haviam apagado as luzes) naquela penumbra da Praça de Serviços,um palco gigante. E uma multidão. Me remeteu logo às clássicas multidões, que me causam, uma já adiantada gentofobia.
Uma delas foi a final do Comida de Boteco. Fala sério gente! Multidões se aglomerando em torno do cool do mais legal, o mais na moda possível.Só de pensar que foi engarrafamento para chegar à região do Minas Shopping, dificuldades para estacionar, filas para entrar e adivinha? Multidões! Muita gente e uma mega produção no espaço! Pensei cá com os meus botões: a gente é maluco mesmo né? O que é que eu to fazendo aqui frequentando multidões? Com estes rótulos? Sei, sei, é apenas um pensamento banal, diria.
Outra ocasião em que me deparei com a multidão, foi na calourada da Puc-MG. Até que foi legal, mas como sempre,dá um frio na barriga até me acostumar com muita gente. Achei punk a estrutura da tenda eletrônica e um palco gigante! Mais ainda os artistas, pois nos shows dos Mutantes, a gente estava se sentindo na década de 1960!
E pra mim o Tom Zé virou guru.Compreendi que ele se propôs mesmo ao papel artista crítico palhaço contundente performer e nao tá nem aí.( Até porque ele tem moral pra ser assim pois tem uma cabeça pensante e pulsante, super tiozinho).
Foi demais, apesar da multidão. E estes espaços ( tenda eletrônica - palco) meio que subdivide a multidão, pois é possível observar a linguagem corporal, gestual, a maneira de vestir, de se comportar das pessoas e tals... Muito bom frequentar estes lugares, remetem-nos a diversidade:Gente maluca sim, mas também gente afinada...(se é que vc me entende, mano)
Voltando ao Grupo Corpo, me deparei com a multidão assistindo à apresentação, e com esta diversidade que me refiro. Havia ali não somente universitários, mas muita gente pertencente a comunidade universitária, crianças e tals. Lidar com multidões é isto, várias particularidades que formam uma homogeneidade.Rapidamente me enfiei no meio dela, me divertindo ao observar a maneira das pessoas de se comportar e de ocupar o espaço, uma relação direta com o corpo.(sacou aí o trocadilho, mano?).
Ocupei um lugar de frente ao palco, no gramado da reitoria. Permaneci ali, quietinha cercada de gente "da diversidade" admirando o talento, a empatia e a técnica do Grupo Corpo. E é claro que companhias assim nos proporcionam um orgulho duplo.Prazer enorme num dia de semana a noite, pela iniciativa da UFMG em trazê-los e pela possibilidade de atestar a beleza, das Minas, em seu estado bruto.
Um blogue do estravagável.
Alguns lugares não suportam gente tão grande, gestos largos. Talvez, por isso balangamos na rede.Na convivência do afeto, loja de louças. A cara do Mário,que é gente como eu, que herdou o mundo agora. Somos atores e sujeitos de alguma coisa? Somos vividos e vívidos, porque inseridos/afogados no grande balde: a existência? E para toques de magia,nada como nossos voos em vassouras de bruxa, que fazem poeira subir. Neste século, carente de afeto, os profissionais da sensibilidade serão necessários, afinal a vida nos molha, formamos parcerias e nada como a Rede para a menina balangar , comunicar a alegria.
Reescrever minha história, fazendo seu roteiro, nós... artesãos de incomunicabilidades tão convenientes que nem mesmo poderemos esperar algo de nós?...
Não! Na verdade não é só isso...nossos campos brancos existencialistas... nosso quente leito solitário em dor
e talvez você tenha percebido minha vida como uma música triste que fale da felicidade... e realmente apavora sentir que essa tristeza precoce faz parte de nós.
Vou fumar um pouco, tudo, lembrar das luzes óleos em telas pouco iluminadas transparece o quê? é... agora, ... nossa literatura crua nos afasta do teatro para continuar fazendo de nós personagens inesperados.
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* Adalberto Arcelo, Suplemento Literário Puc-Mg/ Jornal Mulheres Emergentes, agosto/1996"
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Eu só queria te dizer que a arte está em tentar.