sábado, 6 de dezembro de 2008

Casa de Mário

Lembro que numa certa ocasião Fofolete foi à casa de Fofs. Ele estava ao computador. Ela, ao adentrar a casa de Fofs, trazia consigo seus alardes e suas inspirações, produzidos em momentos de crise. Era 13 de Dezembro de um ano qualquer da pós modernidade, o novo milênio já se adiantava, trazendo as boas novas: tanto caos, quanto cacos.

Fofs já havia se formado professor e ela entrava em mais uma barco de memórias, e assim, enfiava-se novamente na plasticidade de umas águas. A formatura em História, propiciou ao Fofs um glamour mais sofisticado do que o que ele já possuía, pois como bom profissional, Fofs descobrira que realmente "as lesmas quando passam deixam um caminho prateado." *

Desvendaram-se auroras literárias, construía-se um olhar ainda mais humano, poético. Isso sim, era formar-se. No quarto andar da Fafich Jonas fazia prova. Era a busca de novos títulos, novas oportunidades. Super incentivadas pela competição da pós-modernidade. Mas, no andar de baixo, tal como os namorados ferrenhos de Ulisses Tavares **, que namoravam lascado na grama, garotos tocavam um violão e cantavam calorosamente.

Quando Fofolete adentrou o apartamento de Fofs, o telefone tocou e quem era? O Jonas (aquele que mora dentro da baleia ***). O que os dois conversaram, é completo segredo, só o sabendo aqueles que habitam os infinitos de umas águas. De repente, Fofolete senta ao computador e mais do que um ato de impulso, registra a data: 13 de Dezembro. Como memorialista registra também o lugar onde estava: Casa de Fofs.

Nascia, assim, um texto que presenciado por Fofs, na casa de Fofs e sobre prédios que ambos habitavam, o poema Apologia do Absurdo (que tem como título original: Casa de Fofs).
Quem diria que entre historias e lesmas, nasceria uma obra de arte e mais do que isto, naquele tempo já se construía o que hoje se concretiza, a casa de FOFS.

A vida é assim: construir um teto para as nossas emoções e os nossos sentimentos, acomodá-los graciosamente no aconchego do nosso lar, aquecê-los e observá-las soltos, livres. Hilda construiu a Casa do Sol, Pessoa construiu a aldeia, Virginia Woolf queria um teto todo dela. Chegou o tempo de construir a Casa de Fofs.
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* Ana Cristina César em Inéditos e Dispersos.

** GUERRILHA TROPICAL - Ulisses Tavares
O Presidente e seus ministros promulgam
indecências de excelências, e aproveitando o sol duas pessoas
namoram lascados na grama.
A política do beijo é a única oposição sincera no Brasil


***
Sá e Guarabira - Mestre Jonas

3 comentários:

Patrick disse...

Desejo construir a minha casa com grandes paredes, tetos e colunas espirituais, uma fortaleza espiritual, pois já é difícil distinguir os humanos dos monstros.

Abraço.

Isa disse...

"que prá nós dois sair de casa já é se aventurar."

(Los Hermanos).

Ana Torres disse...

Amei-dorei esse texto!
Bjo!
Ass. Ana Paula fale