terça-feira, 16 de dezembro de 2008

No corpo




Quisera um dia digitar no corpo da mensagem


As mensagens invisíveis digitadas no meu corpo.

The Uncle

Naquele momento, o único lugar em que ele queria estar era lá, perto de um objeto; mesmo sem saber onde amarrar a conta mestra no tear. Naquela época, chovia a cântaros na cidade, numa visão macro os fenômenos meteorólogicos apresentavam relações e, na verdade, aquilo era um acontecimento só. Diante do ocaso e do incidente, de um trânsito caótico, da vivência do ritual católico, os cantos da cidade onde estão os teares, e até os passarinhos nas árvores, agradeciam as chuvas então, "pelo menos lavam o pó!". Chuvas homéricas, amores platônicos, cânones poéticos, questões éticas pairavam sobre a cidade. De mão em mão a poesia girava, foi assim mesmo quando ele recebeu um e-mail com textos de Hilda, que versavam sobre ausências, desconstruções, paixões, alos , mas também sobre vivências, definicoes, acasos e cavalos. ( E eu, mesmo aqui tentando não consigo lembrar onde é que no texto de Hilda, ela se referia a um "barco de asas..."). Naquele século, a Revolução Digital já grassava, novas 'criaturas' surgiam e fielmente reproduziam a mesquinhez de umas eras já ultrapassadas. Estranhamente, se deslizassem certo, ao mesmo tempo em que viviam a embriaguez do moderno, alguns seres ainda produziam o afeto. Naquele momento, passava-se já o tempo de acreditar, nada mais era surpresa ou algo para qual se pudesse atentar, só para raros ainda era interessante observar. Por isto, talvez fosse por isto, que naquele momento, o único lugar em que ele queria estar era lá, perto de um objeto.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Casa de Mário

Lembro que numa certa ocasião Fofolete foi à casa de Fofs. Ele estava ao computador. Ela, ao adentrar a casa de Fofs, trazia consigo seus alardes e suas inspirações, produzidos em momentos de crise. Era 13 de Dezembro de um ano qualquer da pós modernidade, o novo milênio já se adiantava, trazendo as boas novas: tanto caos, quanto cacos.

Fofs já havia se formado professor e ela entrava em mais uma barco de memórias, e assim, enfiava-se novamente na plasticidade de umas águas. A formatura em História, propiciou ao Fofs um glamour mais sofisticado do que o que ele já possuía, pois como bom profissional, Fofs descobrira que realmente "as lesmas quando passam deixam um caminho prateado." *

Desvendaram-se auroras literárias, construía-se um olhar ainda mais humano, poético. Isso sim, era formar-se. No quarto andar da Fafich Jonas fazia prova. Era a busca de novos títulos, novas oportunidades. Super incentivadas pela competição da pós-modernidade. Mas, no andar de baixo, tal como os namorados ferrenhos de Ulisses Tavares **, que namoravam lascado na grama, garotos tocavam um violão e cantavam calorosamente.

Quando Fofolete adentrou o apartamento de Fofs, o telefone tocou e quem era? O Jonas (aquele que mora dentro da baleia ***). O que os dois conversaram, é completo segredo, só o sabendo aqueles que habitam os infinitos de umas águas. De repente, Fofolete senta ao computador e mais do que um ato de impulso, registra a data: 13 de Dezembro. Como memorialista registra também o lugar onde estava: Casa de Fofs.

Nascia, assim, um texto que presenciado por Fofs, na casa de Fofs e sobre prédios que ambos habitavam, o poema Apologia do Absurdo (que tem como título original: Casa de Fofs).
Quem diria que entre historias e lesmas, nasceria uma obra de arte e mais do que isto, naquele tempo já se construía o que hoje se concretiza, a casa de FOFS.

A vida é assim: construir um teto para as nossas emoções e os nossos sentimentos, acomodá-los graciosamente no aconchego do nosso lar, aquecê-los e observá-las soltos, livres. Hilda construiu a Casa do Sol, Pessoa construiu a aldeia, Virginia Woolf queria um teto todo dela. Chegou o tempo de construir a Casa de Fofs.
_________________________________________________________________

* Ana Cristina César em Inéditos e Dispersos.

** GUERRILHA TROPICAL - Ulisses Tavares
O Presidente e seus ministros promulgam
indecências de excelências, e aproveitando o sol duas pessoas
namoram lascados na grama.
A política do beijo é a única oposição sincera no Brasil


***
Sá e Guarabira - Mestre Jonas

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Prêmio Dardos


Menina na Rede foi indicado pelo blogue da Anna Gabriela,
http://anna.gabriela.zip.net ao Prêmio Dardos.
Adorei! Para mim este prêmio é como uma troca de figurinhas virtual.


Com o Prêmio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc, que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Regras:
1 -
Aceitar exibir a imagem.
2 - Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
3 - Escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos


domingo, 2 de novembro de 2008

Finados

Dia de finados sem chuva, atípico.
Em épocas de mudanças tão profundas, até as superstições mudam. Não choveu. Eu sou da época em que chovia e celebrava-se a memória dos nossos antepassados. A herança de uma família baseada em valores, e homenageava-se seus entes queridos.
Hoje não. Nem choveu.
Mesmo assim as pessoas cumpriram seus rituais e mantiveram seus valores.

E os valores?
Ah, hoje também vivemos a época das mudanças de valores, mudanças profundas. Nada mal para o que vivenciamos da Moderanidade.

Como parte do novo precisamos construir novos valores ou repensar em que andamos acreditando e o que nossa cultura nos impõe. Eu quero acreditar, mas...

Hoje não. Nem choveu.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Hilda, linda!

"Pai, este é um tempo de espera.
Ouço que é preciso esperar
Uns nítidos dragões de primavera,
mas à minha porta eles viveram sempre,
Claros gigantes, líquida semente no meu pouco de terra.
Este é um tempo de silêncio.
Este é um tempo de cegueira."


Hilda, tão atual.

domingo, 19 de outubro de 2008

Quem sou eu? Uma super resposta para o perfil do orkut.


"Não sei.

De quase tudo não sei nada.

O anjo que impulsiona o meu poema

Não sabe da minha vida descuidada" (Hilda Hilst)



Nasci em quatro de abril e sou mesmo exagerada, como dizia o Cazuza, que também nasceu neste dia. Romântica, aprendiz na modernidade, mulher de muitos cadernos, descontrolada, musa, camaleoa, de olhos clínicos, sensíveis e inaptos, odeio janelas fechadas, principalmente ao amanhecer, acompanho o por-do-sol, só aprendi a sorrir, desaprendi a chorar, não li o manual que expllique a lógica da vida (um grande conceito matemático) portanto quebro a cabeça, me emociono com o canto religioso, afeita às intensidades, adoro sinuca, amo crianças, era uma delas quando o The Smiths bombou nas rádios, cresci junto com o PT, me lembro do clipe de lançamento de Whe are the World, vi a queda do Muro de Berlim, a dissolução da URSS, a transmissão do atentado terrorista ao WTC na TV (e ao vivo) graças as maravilhas do mundo moderno,ouvi falar de várias crises vi limites se romperem, a cada momento um tipo de miséria na moda, acredito na ética e na poética, trilhei os caminhos alternativos- marginais dos eternos fãs de rock n roll e cigarros, rap, hard, black, punk, rock e punk-rock... produto do meio, década de noventa, fanzineira na Revolução Digital, em época de globalização, habitante da periferia, observadora do cotidiano, usuária de serviços, cidadã brasileira no início do século 21. Estudante universitária. Católica com um pé na macumba, herdeira de uma familia tradicional, neta de nordestina, descendente de italianos (tutti buona gente) há 500 e tanto anos, chupando o dedo e, sem identidade construída, sendo colonizada, inclusive culturalmente. Uma mistura de riquezas, mola-mestra de talentos. Presenteada com um dom, a lida com as palavras, amante delas em profunda dialética, violeira que tem certeza de que quem canta seus males espanta, me encanto com o sublime, acho que a poesia é como um blues: uma música triste que fala de felicidade, escrevi muitas palavras, muitas vozes na cabeça, vindas não sei donde, talvez do Velho Chico e suas memórias, da herança histórica, espiritual, genética, atemporal, energética dos ancestrais, místicos, lunáticos, femininos familiares de nós mulheres parindo criando, reinventando e caçando, sou ariana que não pára quieta curiosa cabeçuda brava comédia mimada procurando, procurando, procurando...isadorando.

domingo, 3 de agosto de 2008

Reflexões sobre a loucura.

Após um mês de férias pegando onda no Havaí e balangando na rede, uma super esticadinha no Festival de Inverno como membro da excursão da Tia Eliane com a ala feminina do Hospital Psiquiátrico, estou respirada. Assim, renovando a fé, curtindo uns sons, tentando empinar pipa e, principalmente, nos aventurando a sair de casa. (Bem Los Hermanos).

Hoje, por exemplo, tá rolando o último dia do Festival de Jazz na Savassi, super evento, com estruturas patrocinadas por empresas locais e de música boa e de qualidade em espaço público, sensacional, não fosse a minha gentofobia. Andei refletindo novamente sobre as multidões. Sei lá, fiquei pensando se cada cidadão chinês quisesse ter o seu próprio carro, seria muito doido.

Há lugares que fazem parte da nossa história e Ouro Preto é um deles. Entre os acontecimentos impagáveis (nem Mastercard!) de estar com amigos de verdade, numa troca afetiva ímpar, as mesmas imagens: Festival de Inverno de Ouro Preto.

As primeiras reflexões foram sobre a loucura. Veio à minha mente uma frase de, salvo engano, Fernando Pessoa no Livro do Desassossego:

"Os únicos que dizem a verdade são as crianças e os loucos.
Pois os loucos são aprisionados, e as crianças educadas, sensíveis."


Acho que o problema com a loucura é de ser aprisionada. Talvez se não trancafiássemos nossos loucos em instituições psiquiátricas, sociais e culturais, teríamos menos gasto com a saúde pública. A loucura deve permanecer solta, pronta para ser transformada, meio Forrest Gump, atravessar continentes.

Não sei. Talvez o Cristiano Psico saiba me dizer as questões sutis em que se tangenciam a loucura e a arte. Meio Bispo do Rosário, meio Tom Zé. ( Ah, vou ficar aqui ouvindo meus Secos e Molhados, pois "louco é quem me diz"...)

E que sejam bem vindas as novas loucuras de segundo semestre, passado o Dia Fora do Tempo, iniciamos novo ano Maia, afeitos e afetos às loucuras, as novidades, as verdades, e aos bons encontros com os amigos, estes sim, geradores de potência. Que a loucura seja criativa, transformadora, produtiva, alimentadora. Uma grande mãe para a a gente mamar.



quarta-feira, 16 de julho de 2008

Quintana

O Poema

Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na
[floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição
[de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.

Mario Quintana
In: "O aprendiz de feiticeiro"

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Porrada na mulera



Fim de semana Punk

Fim de semana de pura atitude Rock&sex&drugs.Tudo muito corrido, quinhentas mil coisas para fazer.Mas valeu a pena, novamente, mais um grande encontro de amigos no circuito Maletta, Cine Humberto Mauro, Sta Tereza, Jack Rock Bar com muito rock Raul e Beatles, com direito a se perder na madrugada da cidade.

Pra quem é adepto do versinho dos Los Hermanos: " para nós dois sair de casa, já é se aventurar..." eu tô demais mesmo. Muita agitação, burburinho da cidade, das potências pessoais. Mas vá lá, também a alegria e a poesia, com os amigos.

E ainda tem as lidas pessoais, das vozes internas, dos momentos circunspectos, da necessidade e/ou possibilidade da criação.Acaba que vida de escritora não é fácil mesmo, pois é difícil ser autista, aliás, é um grande aprendizado ter que matar personagens, ter que fingir que é, depois que não é, confundir o texto, o diálogo, o tempo, o cenário, tudo nesta simultaneidade da rede. Ufa!

Dói no coração da gente, afinal tem toda aquela carga emocional, a famosa busca do real e do irreal no texto. Tem hora que tem que parecer verdadeiro, mesmo sendo ficção e tem hora que é puro soco na cara das verdades ditas (tipo Ana C.) fingindo que não são. Ai Jesus,acende logo a Luz que amanhã é segunda feira, e de tanto rock meu coração tá bem punked. É como diz Tayler Durden:"This is your life:



P.S.Dou moral mesmo é para a Marla.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sons do Blogue

E por falar em beleza, andei refletindo também que é possível postar os sons do blogue aqui.Portanto, farei isto na minha lista da last.fm
Já postei alguns sons do blogue muito legais e significativos, como por exemplo, My sweet Lord, do George Harrison (descobri que minha veia Beatles tem muito do George)ou então San Vicente de Milton, maravilhosa ou até mesmo Earth, Wind and Fire Fantasy.

Para ouvi-las é só clicar no link da minha lista de música abaixo, a direita.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Grupo Corpo




O corpo e a multidão


Não quis nem saber: peguei o ônibus na Pça da Liberdade sentido campus da universidade para ver o Grupo Corpo, afinal eles estavam se apresentando na reitoria da UFMG, imperdível.Desci no campus, as escuras (pois haviam apagado as luzes) naquela penumbra da Praça de Serviços,um palco gigante. E uma multidão. Me remeteu logo às clássicas multidões, que me causam, uma já adiantada gentofobia.

Uma delas foi a final do Comida de Boteco. Fala sério gente! Multidões se aglomerando em torno do cool do mais legal, o mais na moda possível.Só de pensar que foi engarrafamento para chegar à região do Minas Shopping, dificuldades para estacionar, filas para entrar e adivinha? Multidões! Muita gente e uma mega produção no espaço! Pensei cá com os meus botões: a gente é maluco mesmo né? O que é que eu to fazendo aqui frequentando multidões? Com estes rótulos? Sei, sei, é apenas um pensamento banal, diria.

Outra ocasião em que me deparei com a multidão, foi na calourada da Puc-MG. Até que foi legal, mas como sempre,dá um frio na barriga até me acostumar com muita gente. Achei punk a estrutura da tenda eletrônica e um palco gigante! Mais ainda os artistas, pois nos shows dos Mutantes, a gente estava se sentindo na década de 1960!
E pra mim o Tom Zé virou guru.Compreendi que ele se propôs mesmo ao papel artista crítico palhaço contundente performer e nao tá nem aí.( Até porque ele tem moral pra ser assim pois tem uma cabeça pensante e pulsante, super tiozinho).
Foi demais, apesar da multidão. E estes espaços ( tenda eletrônica - palco) meio que subdivide a multidão, pois é possível observar a linguagem corporal, gestual, a maneira de vestir, de se comportar das pessoas e tals... Muito bom frequentar estes lugares, remetem-nos a diversidade:Gente maluca sim, mas também gente afinada...(se é que vc me entende, mano)

Voltando ao Grupo Corpo, me deparei com a multidão assistindo à apresentação, e com esta diversidade que me refiro. Havia ali não somente universitários, mas muita gente pertencente a comunidade universitária, crianças e tals. Lidar com multidões é isto, várias particularidades que formam uma homogeneidade.Rapidamente me enfiei no meio dela, me divertindo ao observar a maneira das pessoas de se comportar e de ocupar o espaço, uma relação direta com o corpo.(sacou aí o trocadilho, mano?).

Ocupei um lugar de frente ao palco, no gramado da reitoria. Permaneci ali, quietinha cercada de gente "da diversidade" admirando o talento, a empatia e a técnica do Grupo Corpo. E é claro que companhias assim nos proporcionam um orgulho duplo.Prazer enorme num dia de semana a noite, pela iniciativa da UFMG em trazê-los e pela possibilidade de atestar a beleza, das Minas, em seu estado bruto.


sábado, 14 de junho de 2008

sábado, 24 de maio de 2008

TEM QUE SER VAGABUNDO

... " Viajei e voltei pra você voltei pelos locos
voltei pelos pretos e pelas verde conseqüentemente
meu deus é quente
é desse jeito

ei você sonhador que ainda acredita liga nois
eu tenho fé amor e afeto no séc 21
onde as conquistas cientificas, espaciais, medicinais,
e a confraternização dos homens
e a humildade de um rei serão
as armas da vitória para a paz universal

ei pé de breque vai pensando que ta bom
todo mundo vai ouvir
todo mundo vai saber

se eu me perco na noite eu não me acho no dia,

Faz assim com o meu coração
minha mente é um labirinto
e meu coração chora,
chora agora ri depois

vem comigo nego vem comigo
ta tudo ai pra nois é só saber chegar
vem comigo nego, vem comigo nego.

com deus no coração o resto nois resolve
liganois demoro jão.



Racionais MC's


__________________________________________________________________________________

Em homenagem a periferia, onde a fé tem que ser mais forte do que nos centros.
Onde a vida é maior ou foge mais ao contento ?

Sei lá mano, liga nóis.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O SARAU QUE EU MATEI PORQUE TÔ DODÓI SERIA: LETRA DE MÚSICA É POESIA ?

"Coração americano
Acordei de um sonho estranho
Um gosto, vidro e corte
Um sabor de chocolate
No corpo e na cidade
Um sabor de vida e morte
Coração americano
Um sabor de vida e morte

A espera na fila imensa
E o corpo negro se esqueceu
Estava em San Vicente
A cidade e suas luzes
Estava em San Vicente
As mulheres e os homens
Coração americano
Com sabor de vidro e corte

As horas não se contavam
E o que era negro anoiteceu
Enquanto se esperava
Eu estava em San Vicente
Enquanto acontecia
Eu estava em San Vicente
Coração americano
Um sabor de vidro e corte"

Esta latinidade que arrepia,
este som esta rara Alegria
que já marcou e imortalizou a nossa Poesia.
Poesia de Minas: Mina de Poesia.
SOU DO MUNDO
SOU MINAS GERAIS.

E MAIS...
MUITO MAIS.

___________________________________________________________________________________

Da série: Sons do Blogue - CLUBE DA ESQUINA. Emocionante.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

SINGELO

dama daminha
d’amá-la haverei
entre tantas.
entre nós,
o coração vaga sem cessar.
fino trato
toque tato
és um taco
tasco descolado
do tic tac
do meu coração.


tecer a teia
com fio fluido
inflável
um casulo casaco
um samba legal
pra nos cobrir com carinho.



insinuante cidadã,
que por aqui tricota
nos becos aos beijos UAU
chamá-la arriscarei
no meio da madrugada
rouco embriagado
limpando as unhas
com um punhal.


não me atirarei em poças
d’água não espere isso de mim
não desaparecerei impunemente da vida
me atirando num buraco.
a vida avoa e vai mais longe
até o fundo do poço.
cuidado moço
pra não falar a palavra errada
cuidado cantor.


de vez em quando
vem um vento bobo
e sopra: é preciso acreditar.
é preciso ter uma paciência revolucionária.
é preciso ter uma fé inquebrantável.
é preciso ter fantástica felicidade.


de vez um quando
vem um troço tolo
trazendo toleimas.
da medula do cavalo
inter cep tarei
tuas noites vespertinas
diana das noites da vila,
caçadora má,
bruxa malévola.
decépa-me o crâneo
e guarda de recordação
como aquela mulher da bíblia,
a salomé.
salamaleicon
camaleoazilda
descozilda pela vida
conceição da imaginação
cruzeiro do firmamento.


de vez quando
vem um vento
ventríloquo
soprar frases feitas
na enfermaria do tempo
frases feitas
na enfermaria do tempo.
frases feitas
na enfermaria
do tempo
do tem
do...


dama daminha
adoro teu português castiço
você me atazana, tesouro
você é zarabatana
no olho do inimigo
linda linda linda
ainda longe de mim.
por quantos séculos
quantas medidas de tempo
passearemos apressados
grilados
até que um momento
de bobeira
caia sob medida pra gente
cabelo no pente.


- chacal, drops de abril.
___________________________________________________________________________________
Da série sons do Blogue: publicadíssimo ao som de
THE SMITHS ( e a alegria deste som é toda nossa!)
<

terça-feira, 13 de maio de 2008

... e somos tão espectadores das possibilidades da vida

"Todos esses que à força de correrem após si, foram de novo tomados da paixão de ser, e aos quais a própria lucidez levou a procurarem o máximo de cegueira." (Francis Jeanson)


Quando Jozu descobriu que cagaram no fundo do poço seco, que ele tanto estimava,ficou indignado e correu a perguntar à Josuelda se tinha sido ela.

Jozu é personagem da Grande Hilda, aquela que em vida foi parceira da Poesia e em morte é parceira da Isa.
Jozu vivia Vida simples e dividia a parceira Josuelda, com Guzuel, outro personagem do conto, ambos transavam com ela. Viviam no mato e dividiam o espaço, mas o poço seco de Jozu era sagrado.

Jozu tinha um rato mágico, que levava para se apresentar na esquina dos homens.
Lá, Jozu-encantador-de-ratos, encantava aos homens com suas habilidades. Estes homens que se deixavam encantar usavam botinas e roupas de militares, mas foram feitos espectadores das piruetas do rato mágico de Jozu.

O poço seco é a metáfora do sagrado e do intocado, onde Jozu podia ficar sozinho e viver sonhos grandes com seus ratos artistas e devaneios com o mundo dos homens.

Menina na Rede, é a metáfora do balanço. Do sacolejo da Black Music, das conexões com o mundo a partir desta grande rede. E tal como roteadores, dados, bits, códigos, e o planeta terra, tudo muito vivo e em movimento.

Menina na Rede balanga e balanga e não pára de balangar, pura inércia do movimento, da comunicação, do contato. De vez em quando até pára, e permanece. Desliga o computador e a rede fica.( em off)
A rede fica sem pescar os grandes peixes, sem balançar nos rebolados, sem transmitir os dados.

Depois de uma grande balada, vamos todos descansar, Já que a Vida é grande e pesada, e uma grande dose de vida, sem gelo, chapa.

Nesta noite, Jozu ficou indignado porque cagaram no lugar de seus sonhos, mas sei também que ele frita ovos e limpa o poço.

Nesta noite, não vamos balangar mas ficar à espera do Outono dos lindos céus altos, eu e Jozu, vamos dormir no lado de dentro, bem dentro do Poço Seco. De lá sairão novos números de ratos artistas-encantados para brindar a realidade na esquina dos Homens, mais que isto, ficaremos no Poço Seco a expectar as possibilidades da vida.





____________________________________________________________________________________

terça-feira, 6 de maio de 2008

Objetos perdidos, poéticas achadas.

"Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão"



Quando eu me vejo, já saí por aí.
da Praça da liberdade, ao campus da universidade
pelos vãos da cidade.
Os letreiros a poluir, as imagens que surgem então
são os senões, o trânsito caótico, a emoção.

E pensar que queria brincar,
de cabocla, de caloura, de mocinha-mulher.
Nos detalhes, que eu deixava de olhar.
a poesia querendo passar.

Na inversão das VITRINES DE CHICO,
quando quem olha é que é visto,
inversão de olhares é isto:
ou mais que isto.

E, na calorosa calourice da Isa
educando os olhos pra enxergar mais ainda
encontrei objetos esquecidos: sacolas, cosméticos,
cartões de banco perdidos.

E eu que buscava os efeitos,
prontamente me propus a devolver os objetos.
Devolvê-los aos donos, ao certo, pois só os objetos
não são, sozinhos, poéticos.

Eles é que me acharam, para tutelar sua permanência
e concluir a dádiva de fazê-los girar e ser devolvidos
aos seus donos.

Enquanto isto, nas vitrines expostas ao reflexo,
quero aprender é com Chico: CATAR A POESIA
QUE A VIDA ENTORNA NO CHÃO.

Viviane Mosé

quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina

sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)


acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim

e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando


muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima


lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema


palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema


* Poemas do livro Pensamento do Chão, poemas em prosa e verso.
Por Mario Fofoletudo.
"As traduções são como as mulheres: as fiéis não são boas, e as boas não são fiéis..."

Eu sou fiel e sou boa.
E não sou uma tradução, sou mulher,
em muitas versões.

e um viva às exceções.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sobre Todas as Tudas




Somos contemporâneos, pareados no tempo, íntimos na conexão de uma operadora que se faz nas marcas da vida partilhada em espasmos.Dizem que uma geração não se faz por idades, mas por afinidades.Acredito nisso parcialmente hoje.

Ou, melhor dizendo, acho que a afinidade, no nosso caso, se alimenta da idade e de um partilhar que nos situa diante de questões que tem haver com a idade e com os impasses (além, claro, os encantamentos) que esse Senhor Tempo nos coloca.Já fomos colegas de classe, parceiros no teatro, parcialmente vizinhos, colegas de faculdade, já nos estranhamos no estilo, fomos de um mesmo bonde (...) e a vida escorre.
E o que somos hoje?
Amigos?
Mas essa palavra não se desgastou na correria de uma vida que cisma em dançar no ritmo do ordinário? Que outro nome eu daria pra o que hoje sinto?

Lembra que eu já disse que amizade é amor sem Eros, em alguma outra boda da camaleoa?
Pois é, sei lá! O que eu sei é que está tudo mudando, estamos perdendo o medo (...)
(encarar a vida-invenção não é mole, porque está longe de um mero exercício de performance vazia)e temos falado disso com freqüência, mas o bacana mesmo é que no olho do furacão:
- a gente tem se olhado nos olhos
- os ouvidos se potencializam,
- e a delicadeza está na pauta do dia.

Jovem senhor e jovem senhora não estão para o chá da tarde, e sim para as longas conversas de madrugada no MSN, propondo histórias, revolvendo memórias e conversando sobre o que fazer (...). Sinal dos tempos, dessa modernidade cada vez mais líquida.
Mas a gente ainda grita: ME MOLHA VIDA!

Fofoletuda, Tuda, Ariana da melhor cepa, Camaleoa, querida amiga (o querido faz a diferença)...Novamente obrigado pelos encontros, conversas, conselhos, despojamento, absurdetes, “esparramentos”.

Que mais nos ocorram nessa nossa dança incerta, quase sempre marcada pelas “simetrias desmedidas”.
Beijos fofoletudos pra você.

_____________________________________________________________________________________
Por Mário Luiz Rosa da Silva ( Parceiro, Fofoletudo, coleguinha do Jardim de infância, do Ensino Médio e da Universidade, Membro do BONDE: MC LURDINHA).
Em 04/04/2008 -> Meu aniversário.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Os olhos dele...

Hoje eu deparei com um cara
e os olhos dele me intrigaram
adoro quando um olhar assim me instiga,
desperta do fundo da minha timidez,a fera !

"Este sorriso que muitos chama de boca
é antes um chafariz, uma coisa louca.
Uma palavra me delineia, voraz..." Ana C.




Da série: Querido Diário.

sábado, 5 de abril de 2008

A VIDA É UMA PUTA !



Ótima a festa, ótima a ressaca.
Valeu: casa cheia, festa boa,
muito boas as VIBES.
Vc merece a ALEGRIA !
E a sensação de que envelhecer é só
continuar aprendendo.
A Vida,
nosso dom maior,
palmas prá ela!

Arrasou,
AMO VC,
De Olinda então
love total.
A VIDA É UMA PUTA.


Da série: Feliz Aniversário, depois da festa uma blogadinha pra comemorar.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

EU ESTOU DE PARÁBENS !!!!

De: Guardado demais (Como os Rebanhos de Fernando Pessoa)
Para: Exteriorizado demais.

Olha o sonho: estávamos em cima de um prédio azul fazendo bolinha de sabão que ótimo, sonhar com as efemeridades.E concretizar o terrorismo poético. Olha que simbólico,vou passar a meia noite aplicando tinta no cabelo para driblar o tempo e esperar vc vir na minha casa amanhã de manhã... entregar o meu presentinho:de Fofoleto pra mais Fofoletuda das Tudas.

Fofoletoda de todas Fofoletuda das tudas... das nossas Tudas para os nossos TODOS nossa que tudo !!! tudo de tudo pra você Tuda ... ai que tudo de novo vamos publicar nosso poema concreto? concreto de tudo para todos, os nossos nadas ...(uau que pós-moderno!)

Que bobagem, não podemos perder os eventos ! beba conosco e fodas o resto não acredito que irá se ausentar de um evento tão importante e concorrido pelos fotógrafos e repórteres do mundo inteiro, bolhas! Mesmo que nem sempre as celebridades encontram a roupa adequada para um evento de tal gabarito, o bom célebre precisa buscar as narrativas do sacode a poeira e dá volta pro cima.

Vamos formar um casal de individualidades porque eu quero jogar pedra na Geni e pronto, está quase na hora, agora, José, já é. Sou o primeiro:

PARABENS! MUITAS FELICIDADES AMORES ALEGRIAS ENCONTROS PAUS SEXO DROGAS MÚSICA e rock n roll BONDES POESIA VIDA BOA VIVA O TUDO Viva o Chico barrigudo TUDO Tudo no mundo TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA Oba! ARRASOS! TODAS AS ALEGRIAS DO MUNDO TODOS OS ENCONTROS IMAGINÁVEIS TODAS AS CONEXÕES QUE AS BANDAS LARGAS POSSAM OFERECER E QUE AS BANDAS SEJAM BEM LARGAS QUE O MUNDO SEJA LARGO E AS BUNDAS BEM FARTAS! QUE OS CAMINHOS SEJAM LARGOS PAZ, SONHOS, VIDA VIDA VIDA VIDA MOLHA VIDA LOUCA LONGA E NAO BREVE OBA OBA OBA CURTA PRA SER PEQUENA É SEU DIA
O BONDE DA TUDA DA FOFOLETUDA

Tá dominado, vou publicar tuntz tuntz tuntz com batida de rap gracias muchacho.Venha, venha que vai ser o maior bafão. vou me recolher agora só estava esperando o seu dia chegar e o carnaval também. vou quarar minha alma não se recolha estenda-se Tá tudo dentro Pra clarear sua negritude? Deixá-la mais puramente negra?

Pra negrar a minha negritude Isto é que bonito! Adoramos adoráveis PRA NEGRAR A MINHA NEGRITUDE

Venha e seja o DJ, toque as músicas, embale as danças, vamos poetizar, vamos punhetar a poética. Gozar a lírica poesia da vida que escorre como filete de sangue entre os textos de ANA C. Amanhã de manhã a gente tem que fazer alguma coisa com a dor, ela tem que virar criação (ou não?) Tem que mandar para fora, que é a obra que vai ficar, como uma lembrança que pra dar conta da perda. Achei isso muito bonito, acho até que, como os sentimentos, a elaboração da dor se transforma também, o mundo não nos deve nada, mas a gente também não deve nada a ele, viver, além de inédito, é grátis e portanto, vamos tirar as dores. Andiamos! Que culpa do caraio que nada! É a minha maneira de fazer disso que está guardado demais, arte De guardado demais Para exteriorizado demais. Daquilo que a gente esconde pra não sofrer, como se isso fosse possível. Pois é, já que dói de todo jeito né? Abdicar das performances Que estão esvaziadas Quero mais: Encontros possíveis E encarar o novo. Fazer as coisas "de verdade" Encarar o medo Aprendendo a coragem Já dizia o velho Guimarães. É preciso ter coragem. Nada é garantia mesmo. E nada de fato vai nos sucumbir... Pelo menos o que achamos capazes de tal ação. Então fodas. O fodas é coragem Coragem!

Despertar as mini psicodelias que buscam ser despertadas. Mudar as perspectivas Quando vc compartilha com eles O olhar pra gente Mais entusiasmado, generoso, íntimo Adoro os olhos
E isso é novo... Só encantamento. Que arrepia... É porque somos educados para ter medo de olhar né ? A moral cristã diz: cuidado Não abrace Não toque Não olhe Só crescimento Eu acho assim melhor do que só estacionamento Neste contexto de: pobreza de espírito Quero sair daqui
O resto se vier, a gente absorve! Aí se for pra romper, que rompa de uma vez O resto eu improviso Preciso perder o medo É um exercício de comemoração E sinto a minha bunda se mexer sabe? Então quero pegar o rebolado E aí, ninguém mais me segura É isso aí! Chacrete!
Absurdete! Vamos jogar as pernas para o alto Fora os sonhos loucos Então venha, Esvazie o seu saco de mediocridades E proporemos novas temáticas Assim a gente finge que o saco da artificialidade ainda está vazio

Agora, uma homenagem ao Mário:
" Seu nome é Mar
Seu nome é rio
Pra negrar sua negritude
E sonhar ao me aproximar,
quando logo, eu sorrio:
Mário!"

____________________________________________________________________________________
Da Série: FELIZ ANIVERSÁRIO,
mais uma criaçao coletiva de MC LURDINHA: Criações, Eventos e Entretenimentos.

E, se a Psicodelia, ás vezes é mínima,
A vida aqui, é o Máximo.

Parabéns pra mim: ANIVERSARIÚDA que estou.

Ao som de FANTASY: Earth, Wind and Fire.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Absurdetes do mundo: uni-vos !

Os primeiros quinze dias do novo Curso de Letras da Isa foram intensos. Absurdete que sou, tinha que haver un poquito más de la intensid... Nem hablo! Olhando para trás vejo o filme: começo a refletir os usos do texto, a definição de alguns espaços e contextos, que haverei de desvendar num futuro próximo. Partindo da idéia de que este blogue é meu, desfruto da minha liberdade de ter autonomia nos temas e no que quero dizer, e como dizer. As minha âncoras ? São as estratégias textuais que utilizo para referenciar as palavras,

Absurdo, Tudismo, Isadorar, Maravilhudo, Bonde, É Nóis,Boneca de Olinda, Alice, Intensidade, Psicodelia, Sarau, Beleza, Absurdos, Potência de Vida, Download do corpo, seres de potência, UFMGEZUDO, Fofoletudo, são palavras que compartilhamos. São os sistemas de significação construídos por mim e meus pares nos quais compartilhamos um mesmo olhar um recorte desta nossa realidade. É este o nosso instrumental.

Os primeiros quinze dias foram psicodélicos, no meu ponto de vista e, literalmente, passei mal. (coisas do emocional!). E, quando a montanha russa, em seu looping faz o giro, o que a gente sente lá no "mais alto"? Noooossa, indescritível. Só observo, e fico aqui blogando e sorrindo, Isadorissima. Refiro-me aos orgasmos de início de semestre em que tudo nos encanta, nos desafia, ou não, desde a teoria até as pessoas !

Sinto que me perco, por ter muito a dizer, dentro das estratégias coesivas deste texto. E esta é mais uma das reflexões que já pairam no ar... Os arrepios das aulas de Literatura que me fazem refletir se são mesmo os meus, os caminhos da Linguística. Partindo da idéia de que o blogue é meu espaço Isadoríssimo de falar, e com a vantagem de poder me esconder, (Telletubies e tímida !) a gente solta o verbo. Fios que puxamos, por exemplo nestes arrepios das aulas de Literatura, em que sou produto vivo e herdeira desta linguagem dita pós-modernidade...E porque, prioritariamente sou leitora e compartilho desta estética quebrada mesmo. Moderna ? Em que se pega a PALAVRA e se prega no muro ? Não é mesmo, releitura dos movimentos estudantis da década de 1970?

Sei que a Linguistica, a Gramatica, a Semiotica, A Língua e a Literatura, são os espaços, os primeiros passos, a construção de mais um olhar, um instrumental, um referencial teórico que - como diz o Mario - Sugira rumos, mas somente sugira, né? O CAMINHO É COM A GENTE ! Da mesma maneira que me soa nos ouvidos a linguagem da gente da periferia, passo a compartilhar também um dialeto acadêmico. Estas pessoas falam assim porque esta é a variante escolhida e portanto, preferida ? Sei lá mano !

Sei que aquela roladinha básica na grama foi só uma entrada de cabeça na loucura pessoal e como caloura, um bom porre aquece as entradas. Ai meu Deus, porque tanto sofrimento ?Que emoção é esta diante das possibilidades? Menino pequeno diante da loja de Doce ? E eu toda Isadoríssima indo a aula e indo, indo, indo... "O importante não é estar sempre indo ?"[1] Anarquicamente, indo.

* Com o pensamento no BONDE: Mário+ Isa + Cris e o Maravilha também.
(1)* Por José Deoclécio Andrade Ferraz

quarta-feira, 5 de março de 2008

Caloura Telletubies !!!

Ai, ai, ai...
Depois que me tornei uma caloura do curso de Letras,
nunca mais bloguei.
Paradoxal não?
Se a vida de LETREIRO agora
é lidar com produção de textos, palavras, sentidos e estas cositas.

O fato é que anunciei, pirei, admirei, comemorei e festejei.
Afinal de contas, eu passei!
Pouca novidade pois PASSADA eu já era.

Usei metáforas acerca da Senhora Grande VIDA,
a minha escritora Hilda,
os pensamentos e festejos desta minha nova vinda.

Venho de onde?
Não sei,
intuo que não sou deste mundo,
este aqui que a gente vê,
porque minha curiosidade quer sempre
o que está logo ali depois da curva.

E, tal como produzir um texto,
escrever, como viver é inédito !!!
E cenas inéditas fazem sucesso,
ai meu Deus, quer melhor do que isto ?

O que ainda não é,
o que ainda não foi,
curiosidade de formiga,
descobrindo, garimpando.
O que ainda será
pois nasceu pra ser, e ponto.

Para a instituição, eu diria:
- Vcs vão ter que me engolir,
sou uma caloura TELLETUBIES !!!
ó eu aqui, DE NOVO !

Era tudo o que eu queria,
desidealizar as Letras,
ao descobri-las.

Aprender é isto mesmo,
terror e pânico,
entusiasmo e desejo.
Mas descoberta,
Que nos move,
tal como a vida,
e ainda, nos molha.

Disseram que há calouros na Faculdade de Letras,
que já publicaram poemas junto com Vera Casa Nova
e Yoko Ono,
se bobear, dizem tudo o que quiserem.

Nem sei se falam de mim,
só sei que estas duas aí de cima estão
muito pra frente, frequentando os espaços
públicos e publicáveis de Isadora Isa !!!

O que estas famosas estão fazendo do meu lado ?

Famosa, eu sou.
Charmosa também.

Ai, ai, além de tantas,
ainda sou caloura.
Mas daquele jeito: Telletubies !!!
"De novo !"

Não é mesmo fácil,
são muitos papéis,
muitas personagens.

E este tom grave,
é das seriedades que o
jeito desconfiado e mineiro
de ser, manifesta.

Observo, absorvo,
intuo, pressinto,
concluo.
Assim se descobre um espaço,
assim se chega pé ante pé,
prefaciando a minha Alegria,
que, repetidas vezes citadas,
( num é Tio Osvald ?)
É A PROVA DOS NOVE.

Quanto à instituição,
fica aqui a minha crítica à domesticação,
e sempre.

"Polarize seus sentidos,
pense como eu,
responda o que eu quero ouvir,
não queira linhas de pesquisa
que ninguém patrocina.
Vincule-se
Desvincule-se..."


E eu aqui querendo ser EU.
Como diz Fernando Pessoa no Livro do Desassossego:

"Quero saber bem a opinião alheia,
para que ao agir eu reconheça
bem que estarei agindo em desacordo
com a outragem
bem em acordo comigo mesma."

Medo e desejo,
a gente não sente só pelo outro
mas pelo mundo.
E também diante da Vida,
como se um filme que
antes de chegar ao Final Feliz,
apresenta as emoções do enredo,
a construção da trama,
o conflito e enfim,
o clímax.

Ser caloura não é nada.
Até blogar aqui não é muita coisa,
exercício meu, de me esconder nesta
programação aqui, e fingir que não sou.
Que é tudo ficção,
ainda sim ?
Ou não ?

Ai que desacordo Humano:
Finja, iluda, não mostre,
dissimule, não seja.

A instituição é a ponte,
que puxa o passado,
onde foi que soltei aquele fio
e me amarra novamente no futuro.

Mais uma vez eu digo,
que além de arrepiar com o
Clube da Esquina,
pois OS SONHOS NÃO ENVELHECEM,
estou arrepiando também nas entradas.
Para deixar,
tal como lesma,
um rastro prateado
nas saidas.


Andiamo,
a vida passa,
a Hilda (Hilst)fica.
O vestibular passa,
A faculdade passará,
mas a Isa,
a Isa com suas LETRAS,
Ah, ela fica !

EM BREVE A PUBLICAÇÃO DO CU :
( a mais recente produção literária do TUDISMO)
por Isadora Isa.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

DE CASA, DA CASCA, DE DENTRO, DO PAÍS.





Como está a minha foto aí, dá pra me ver ??

É uma homenagem às Letras.
Não sei muito bem o que significa isto é o estranhamento.

Você está por cima.

Como assim ? Eu gosto de ficar por cima,Maravilhuda.

Preciso sair
de casa no fim de semana
da casca do ovo
de dentro da crisálida
para fora do país
Andiamo !
virou até poema
si, si.

Achei vcs esquisitaços ontem
mas pode ser que quem achou vcs esquisitos foi a Alice,
sabe ? No primeiro fim de semana
pós libertação e pós salário iremos ao FUNK
Ele não chegou a dizer que emagreceu por amor
mas EU acho que foi.

Chega !
Vamos parar de confusões
Sabe, que mania de ter problemas !
Pragmatismo!
Ir lá
Pra que ficar com a cuca cheia de razão ?
Pra nada ?
Chega,
o estranhamento diz que a atitude é sua

Você constrói
e não sei se o caminho é esse excesso de referência.
Você tem que compar o tijolo o cimento pegar a pá fazer a massa bater a pedra
presença.

Conhecer, mosttrar
A beleza
O Desejo
A Inteligência
E todas aquelas características que você julgar ter
e enumera nos sites de relacionamento. (Tempos Modernos)

Mas será que estamos vibrando certo ?
vamos regular este dial já!
Ah vamos logo reagir e viver
"tudo o que há pra viver "?
como diz o Lulu Santos !!!!

Fala sobre as referências
Que referências ?
As referências equivocadas do amor que temos
Dos medos gigantescos.
E estava ali com a Alice conversando s
sobre o GRANDE MEDO que vc se refere sempre
ligou ?
qual é ?
E medo é do tamano da vida !!!!

Hoje, talvez seja menor.
O medo é menor do que a vida ?
Acho equiparáveis
Duas vias, escolha a sua !

Não estamos tão mal assim, apenas,
calados: eu e ela.
As primeiras palavras foram ao ESTRANHAMENTO
Sabemos sempre que irá passar
sim sim sim
Mas enquanto não passar, o que faremos ?
Esperaremos.

Li sobre a reportagem do Suicidio.com
E tô de cara
Com estas referencias aí sabe ?
De esperar enquanto a tristeza da gente passa
Tem gente que não sabe esperar
Nem atravessar os caminhos
A travessia do Guimarães Rosa,por exemplo
Quero esperar.
Ás vezes sumir
mas não morrer.
O lopping se faz assim.
Profético, eu diria.

Vc tá meio Renato Russo ?
- Só por hoje.

Teve dias em que ele pensou :
" É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..."
Em outros, " Este é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante..."
muito bipolar né ?

O que é a potência de Vida pra você ?
- Temos que nos distanciar e perguntar isto mesmo.
Perguntas, perguntas. Ótimo! Agora, ao longo,
procuraremos as respostas.

Sinto muito pela tristeza,
aquela que ninguém rouba?
E quando estamos semi-tristes, graves,
pendentes é a hora de dar uma sacudida em tudo ?

E sutil e levemente
passar os portais da loucura
As angústias e seduções dos cenários futuros
Encaixar-se no seu desejo
E esperar a satisfação pingar, pingar...
Até inundar.

O palco nos aguarda.
Buraco no estômago
Quem sente é estrela
E devido às tristezas
Beijos amores e cores duplas hoje

E vcs me façam o favor,
saiam logo desta linha álvares de Azevedo
e vão ouvir um Tom Zé !

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Tudo muito simples, se não fosse complicado.

Continuando o nosso trabalho
de tentar enxergar o que há depois da curva,
buscando as melhores palavras
os bons encontros
e a boa criatividade

Decidimos,
enquanto BONDE,
elucidar a beleza do cotidiano
através de detalhes simples detalhes,
("tão pequenos de nós dois!")
é como se estivéssemos ouvindo uma conversa, saca ?
Meio Voyer,assim

(antes de ler, please,
olhe para a imagem e
diga o mantra: OM...)





Nos encontramos no Msn
você me mostrou o recado que deixou pro cara
o ultimo recado ? que horas foi isto ???
falou o que disse pra ele.
ontem à noite ?????
sim.
ah eu disse pra ele que ele era um vacilão ?
meia noite.
nossa
uma hora
eu tava louca
mas que o amava
nooooooooossa que bafo !!
ah, sei lá !!!
não percebi
mais ou menos isto...
achei normal
putz, vc teclou com a boneca de olinda e nem viu ???? ah ah ah aha
por que?
na verdade eu tava "daquele" jeito
uai porque eu nao lembro direito
e porque quando eu disse pro cara:
vc é um vacilão, mas vc faz suas escolhas
... e tals sabe o que eu penso mesmo ???

que este "eu te amo" é vazio nada a ver... mas, vamos lá !
será?
: o nosso amor a gente inventa
resta saber sob que base, né?
é isto aí !!!!
e não sei qual a sua.
porque ???
ué, entendo assim:
você tinha uma expectativa

frustração
que é uma tristeza que fica quando a expectativa acaba.
ah viva a adriana falcao
e aí, a gente se pergunta
por que?
que caminhos a gente inventa ?

que obra é essa?
isto mesmo
o que estamos obrando mesmo?
vou publicar todas as nossas conversas...

nao podemos perder estas reflexões
é isto mesmo
tentando encaixar os outros na nossa expectativa
fiquei chateada
na real
mas fazer o que ?
eu acho que a gente tem que enterrar frustrações
não quero fazer nada
ficar de luto o tempo que for
deixa pra lá
e deixar a tristeza passar.
não quero luto por alguém inventado
bora
bora -bora pra vida

na verdade, é preferível eu dizer assim:
ó eu quero por causa disto, disto e disto....

luto das nossas invenções
isto mesmo, vida louca vida
pra que outras venham

porque
tem luz
sabe conversar
é inteligente
tem felling
na musica chama-se rif
o rif da guitarra sabe ?
talvez mais bacanas
dança de salão
sei lá
enquanto isto na sala de
justiça
a pessoa, nem aí !!!
então beleza...

isso fica aí dentro, as emoções.
a querência né ?
mais o foco era no outro.
normal
tá ligado ?
falta rebolar mais
ontem eu tava impossível
noooossa
entendo.
também sinto isso.

as vezes a pilha falta
talvez energia
falta posicionar melhor né ?
pro correr mais solto
diante do que eu quero
como eu quero
o que eu posso e não posso
e ficar criando expectativa pra preencher lacunas
nada a ver
ou ter uma carnalidade, quebrar as travas.
sei.
a gente nunca sabe o lugar certo onde colocar o desejo.
é preciso gritar.
e fica, à partir deste desejo,
tendo vontade de fazer isso toda hora.

deixando qualquer um entrar na vida da gente
hoje tive vários momento de vontade de gritar.
ou então, querendo colocar as pessoas dentro da vida da gente, nossa !!!!
porque o que que tá pegando ?
mas tem que deixar
e escolher
nada.
só vontade de gritar
terapia do grito ???
ah ah ah
terapia é da loucura
como se eu quisesse falar com Deus
:não precisa gritar
ele não é surdo ah ah ah
uma ansia
e eu que tô precisando viajar
parece que não tou cabendo em mim

que bom, é sinal de que vc é um grande homem
ah ah ah
tão grande, jovem senhor, que não cabe em si
pode ser
mas, fala sério, porque não tá cabendo em si ???
excessos ???
vontades? ansiedades ??

sou um homem meio sonambulo


o que houve no sábado, foram maletar ?
ah é !!
de vigilia.
eu ando tâo esquisita

o q está acontecendo ?
é uma questão de fuso horário seu ou meu ?
Tá demais.
ou está de cabeça quente
não consegue dormir ?????
estou meio em metamorfose
rapei meu corpo
hum.... então sugere coisas novas
tirou todos os pêlos ???
como assim ????
mais eu estou feliz
só da cabeça que não.
fechação???

ah e as pernas me conta @!@!????
pior que não.
me estranhei.

mais tô feliz
( ah ah ah eu vou publicar !!!!)

de saco raspado ?

ah ah ah
acho que vou fazer isso.
será que eu quero me mutilar?
não!!!
talvez vc queira se transformar.
tô fazendo coisas que eu não fazia.
é válido, não acha ?
mas tudo dentro de um limite faz parte do aprendizado. oras !
acho normal, está assustado por fazer coisas que não fazia antes ?
tem te acrescentado ??
mais repito, estou feliz.


encontrar a galera.
mas quero mais
tem uma certa ânsia mesmo.
uai
estamos crescendo, nos tornando adultos,
homens e mulheres
queremos nos completar
não é assim ?

eu também quero
transcender ao absurdo
absurdete que sou
recomeçar

num é !!
eu também encontrei com ele hoje

e ele me disse que vc se encontrarm no sábado
vou para o banho
desculpe-me
preciso descansar
e tals ...
ah ah ah
e publicar o nosso diálogo no blogue
ou não
vou aprender a colar mas a omitir
a recriar
tudo bem
a reinventar
também vou

é tempo de novas leituras
novas buscas
tentar dormir
ponha os dois pés numa bacia dágua
tenho fotos do carnaval
ajuda a amolecer o corpo
vou lhe mandar
ah quero ver demais, poe no orkut,
vou por
beijos
quero ver demais as fotos do maravilha estuprado...
ah fica bem viu :?
pode deixar
kissis
' enfie o pé na poça dágua prateada'
é um verso meu
enfie o pé na agua mesmo
relaxa
ótimo
e vc fica bonitinho
você também
beijos beijos flores goooooood amores cores
está tudo bem
beijos
beijos
beijos
amores e cores
luzes e cambalhotas no campus que agora é nóis,
o bonde volta pra universidade
de salto alto

fomos, eu e a olinda
kisses good
kisses


DA NOVA SÉRIE, SONS DO BLOGUE
* My Sweet Lord - George Harrison


*Este texto é uma criação coletiva da
"Mc Lu: Eventos, Entretenimentos,
Performances e Demais Psicodeliazinhas"

representados aqui em 66% do Bonde.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Carnaval é carnaval, feriado besta é feriado besta.




Esta célebre frase foi dita pelo Manna, meu irmão e brother.Não é que o Carnaval não é o feriado mais besta? Significa o ritual de passagem para a vida econômica
e política do país, pois assim começa o ano:todo mundo pelado,chapado, sambando nos trópicos. Falo como uma pessoa que realmente não é deste planeta,já assumi, eu sou das estrelas mesmo e pronto.
Minha mãe disse que existe extra-terrestre e gente que já foi abduzida ! E quem sou eu para duvidar da minha mãe ?

Tá certo que vivemos aquém de nossas possibilidades,pois o ser humano pode muito mais, "somos seres de potência" -como diz meu amigo Fofs e eu sinto a POTÊNCIA!
Carnavallis à parte, deixei de ser estatística dos acidentes nas rodovias brasileiras, de gastar dinheiro à toa para
atender a um padrão "Folião", e ainda quebrei tudo assim mesmo. Tá certo que mamãe também disse que se pega mononucleose pelo beijo na boca, mas esta foi a última coisa em que pensei enquanto beijava o negão lá em Sabará, ah ah ah.
Com Jimi Hendrix, Steve Wonder,Paulinho Moska,Public Enemy,Aretha Franklin, Funk e Rap, e um bom jantar de tabule com feijão também se faz uma festa, se anda em círculos,até abraçei a Boneca de Olinda em dois dias do evento!
Acredito na vibe, no que está além, não me convenço de que é só isto aí, enquanto não mudarmos nosso padrão vibracional continuaremos aquém e se não nos elevamos, enchemos a cara de todo tipo de substâncias para tentar subir.

Em direção ao universo.

Do you wanna get high ???

Num é Cypress Hill?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Da série: O CADERNO ROSA DE ISADORA ISA

Carnaval e criatividade
andam juntos, ou não?
Sagrado e Profano,
espírito e corpo,
línguas e sons.

Os meus leitores, desde que iniciei-me
na arte da blogagem em www.maravilhosa.blig.ig.com.br
sabem que existem as séries de Isadora Isa.
Tais como os " Acontecimentos Bombas da semana",inauguro aqui, já que sou uma mulher de muitos cadernos,a série de Cadernos de Isadora Isa.
Vivos e pulsantes temos, O Caderno Único, também conhecido entre os marginais com o carinhoso apelido de CU, O Caderno Espião, e este que defloro agora,
O Caderno Rosa de Isadora Isa, O Caderno Digital e outros caderninhos.
Nem sei quem são, quantas Isadoras escreveram,
que palavras vivem ali, vamos abri-lo então, andiamo.

O Caderno Rosa de Isadora Isa

Rio de Janeiro, outono de 2002.

Primeira pergunta:
O que você está fazendo para ser feliz ?

Embarcaram para uma viagem ao Rio de Janeiro.Hospedaram-se num apartamento no bairro do Flamengo,na rua Senador Vergueiro. Este local ficou conhecido posteriormente como
Sala de Justiça, pois ali se encontravam os super-amigos.
Após tantos acontecimentos, morte, perdas, viagens, foram viajar...
( Bem Manuel o Audaz ... !)

Na Chegada à cidade, ouviu-se o Roberto Carlos no radinho: " em paz com a vida e com o que ela me traz, na fé que me faz positiva demais..." e a placa: BEM VINDO A XÉREM.

Voltaram da rua cansados, e a cidade com o clima frio pede um bom moletom,
cercados de serras que estavam.
Naquele dia visitaram a cidade de Niterói.
Foram de barca (o passeio tradicional)pela baía de Guanabara, com paisagens basicudas : à esquerda a ponte Rio-Niterói e à direita o Corcovado e Pão de Açucar.

Em Niterói, terra do rapper DE LEVE e do grupo de RAP mais doido da região - O QUINTO ANDAR -, visitaram o Museu de Arte Contemporânea, obra de Niemeyer, que parece um disco voador muito doido.
E os doidinhos cheirando "gela pé" na barca.

De dentro do Museu é possível ouvir o barulho do mar batendo nas pedras,
apreciar obras de Lígia Clark e outras coisas pertencentes a esfera do Belo.

De volta à capital, visitaram a Praça Tiradentes e o Palácio,
Na rua do Ouvidor não foram vistos os homens de cor, muito menos no Largo do São Francisco, já no teatro Carlos Gomes, além do ingresso para o show do Ivan Lins,
foi possível vislumbrar o quadro das Dançarinas do antigo Teatro de Revista.

Dias depois, no Jardim Botânico, eles tiveram vontade de se inscrever em curso de pandeiro, será que o Rio emite esta vontade de entrar pro balacobaco ??


KINJO LAIS
Kanagawa-Ken
Yokohama-shi
Tsurumi-ku
Ushioda-cho
Kurin Haitsu
JAPAN


Mês de Junho
Questionamento sociólogico:

Dependendo da crença de uma pessoa ela reage a determinadas ações.

O que forma a crença das pessoas? Como mudar esta crença?

Fim do mês de Junho, 2002

Dentro do ônibus em direção à São Paulo, capital.
As últimas cidades pelas quais passamos, entre BR 116 e rodovia
Régis Bittencourt, foram: Gramado-Canela-Dois Irmãos-Ivoti-São Leopoldo-
Novo Hamburgo...quase chegamos a Porto Alegre...erramos o caminho, pode?
Voltamos por Caxias do Sul, Garibaldi...

Da beirada da janela, os olhos fotografavam as paisagens.
Clichezaço pra dizer que a curiosidade é que viaja,
que os olhos é que enxergam, alimentando nossas memórias de cenários,
o filme real, o fuso diferente, deslocamento no espaço.

Entramos em Santa Catarina para ver o jogo da Copa do Mundo.
O lugar chamava-se Rio da Estiva, município da serra gaúcha.
Era de madrugada e o espaço amplo, fazia muito frio,
fomos atendidos por uma família local, que trabalhava ali à beira
da estrada. O jogo foi ótimo, o Brasil passava para as quartas-de-finais,
eliminou a Inglaterra vencendo de dois a um, putz, perdi o bolão !

Seguimos viagem por Santa Catarina, estávamos próximos da fronteira com o Paraná.
Reparou-se que - no caminho os municípios se sucediam... Itapólis, Ponto Alta do Norte...

Acordei já em Ribeira, interior do estado de São Paulo, no Vale do Paraíba.
Passamos por Miracatu, subimos a Serra da Cantareira com "uma vegetação linda",
era o que todos diziam.

No fundo, ela dizia:

"Fiquei aqui dependurada na janela do ônibus o tempo todo.
Acho que medi a Régis Bitencourt todinha com meus olhos... pegamos um puta nevoeiro na Serra de Santa Catarina, mas no interior de São Paulo, o sol já estava quente.
A beira da estrada ainda está bem verdinha, apesar do outono que queima as plantas.
Vi uma fábrica à beira da estrada no Rio Grande do Sul, iguaizinhas àquelas dos filmes de Charles Chaplin.
O sul do país é muito frio,os "ventos" das histórias de Érico Veríssimo que
trazem presságios em suas narrativas, deixam de ser apenas
figuras de linguagem e tornam-se friagem para nós reles mortais"
Dizia:
- O Sul é muito frio.E 'muito frio' abriga duas opções: isolar as pessoas ou uní-las!

Na Serra da Cantareira...córrego Pirajuçara... e todos aqueles municípios e rios com nomes indígenas.

A ALEGRIA DE PERDER-SE É UMA ALEGRIA DE SABÁ !


HISTÓRIAS URBANAS: INFERNINHOS UNIVERSITÁRIOS.


Só as figuras diferentes tiveram a oportunidade de vê-la.
Tinha uma esmalte preto nas unhas há 24 horas, aquelas mãos escreviam.
As antenas são assim sempre: estão no lugar em que têm que estar para
canalizar as energias - cibernético - dar respostas.
O Caderno Rosa era inaugurado naquela tarde e muitas pessoas passaram
através daquela antena.
Estava de tinta nos cabelos, portava músicas e poesias.
Era inaugurada a Época dos Inferninhos universitários e g-r-a-d-a-t-i-v-a-m-e-n-t-e
ia perdendo o medo.
Arriscou no escuro, pisar o desconhecido com uma mediunidade urbana, estava chegando.
Mais um vôo rasante de ANA C. - e nem aí! - a falta de destino era álibi e no fundo,
todo mundo desconfiava que sabia muito bem onde queria chegar.
A melhor maneira de mentir para os outros era dizendo a verdade
ninguém acreditava.

Quem vê nem acredita nas características daquele lugar, o inferninho vespertino da faculdade.As recorrências do demônio se davam através de uma imagem pintada na parede, um lúcifer na posição freudiana.

Como se a deusa Gaia chamasse seus filhos de volta a ela novamente, como se Gaia tivesse nos ofertado a vida e nossa vida retornará a ela, através da energia tudo retornaria para a energia primeira dela.

Nos inferninhos vespertinos, depois que a fumaça abaixava,
o olhar se abria mais,a energia ficava leve.

No fundo, ela ainda era uma incógnita com sua pulseira de Lavras Novas
e seu anel de côco.

PERSONAGENS

Um rapaz afeiado, com sorriso de professor de literatura, homossexual; um estudante de Grego e um que era chamado Lobo: agressivo, institucionalizado, para quem "falar de infância" era falar de pré-história.A palavra, o Verbo parava nele.
Era pesado, meio nuvem negra - meio luz.
Ninguém sabia de onde ele vinha, andava meio que emparelhado com o demo.
As relações se davam paralelas, determinadas por alguns símbolos.
Nesse mundo é fácil de chegar, parece que a inércia os atraía.

Nada de muito significativo nos transeuntes, uns homossexuais, malucos, vagabundos,
jovens, imigrantes, garotas ,drogas.

Cada um com sua loucura.
E seu sofrimento.

Muitas antenas funcionavam ao mesmo tempo e
isto era bom ao mesmo tempo emparedava a energia da gente.

O telefone tocou e o díalogo foi assim:
- Me indica um livro para mudar a Vida ?
- A Paixão Segundo G.H.

Clarice Lispector nos chamava, mas o primeiro encontro foi doído.
(?)
Só o primeiro capítulo please, ainda não.Após vinte e quatro horas, choravam em prantos pelo campus.

NAS PAREDES,OS CONCEITOS. NO MUNDO, OS CONCEITOS.

Naquele inferninho tinha uma cadeira em miniatura colorida de um rosa leve, feita para os pequenos amigos sentarem, tais como duendes, fadas e outros seres, e você então poderia dialogar com eles.

A vida estava pendurada numa nota de dinheiro,
e o dinheiro era apenas um pedaço de papel ( Arnaldo Antunes)
o suporte em que se experienciava o mundo.
Havia manhãs naquela época, era permitido.

Nada era interdito, nem mesmo os ares de cortesã, de menina mulher, malsã.
Ela estava excluída do contexto de ser perseguida pelo amor, ela era a fera.
Na doçura e no peso, inspirava a impossível oquidão de um ovo.
Tentava, conhecer o fulgor das trevas, a beleza do que não dá pra enxergar,
como negar olhar para um quadro, as perfeitas formas de beleza.

Naqueles ambientes era possível conhecer os poetas, artistas anônimos, que
todo mundo da faculdade conhece...tocavam música brega, daquelas que a gente ouve
quando vai dar faxina, e tantos como Rimbaud,Kerouac,Frejat,Cazuza,
Clarice, Allen Ginsberg,Billie Holliday, Chet Baker, Janis Joplin.

DEZEMBRO

No inferninho universitário rolava música cubana.
O capeta continuava rondando. A energia subia pela espinha,
não ouvíamos o chamado de Clarice.

As unhas? Acabaram.
Era o planeta nômade dos DJs, caminhando desde o mundo dos esquimós.
Doçura, chegou o Natal, que não tem um conceito POP.
Pop é esperar pelo Natal. O amor é Pop ?
Quem continua a sua obra ? E você continua a obra de quem ?
Ciência ou sensibilidade?

Fecha a cortina!
Agora os estímulos são outros, muda o plano, processa as imagens,
que sentido ela te dá?
E depois das antropologias ?

A sensibilidade: o céu dos esquimós em certos momentos permanecem
lilases por muitos dias.
Nada dito, aqui proibido.
Nada de fera, só conceitos supostos de matéria.
Não deixa ver nada de transparências.

Agora, ela já era vista com figurinhas de chicletes na mochila,
drogada deitada na grama do campus, tentando se esconder da luz.

No palco do teatro a gente tentava sempre se esconder da luz,
mas a pressão elevava-se novamente e alguns transeuntes já tinham
visto que ela andava escrevendo pelo mundo: fotografando as imagens.
Criando roteiros.

" ESTAMOS EM OZ, ENTÃO QUAL É A DIFERENÇA?"


Janeiro, 2003

Naquele tempo era vista caminhando junto aos seres que
frequentam o Edíficio Malleta ,transviados,fãs de James Dean e drogas na noite do centrão da capital.
Traficantes, universitários, funcionários públicos e gente buscando amor.
Em direção ao alto da Avenida Afonso Pena, procurar o que tinham em
mente, a cidade iluminada.

Política, poesia, falta de rumo eram assuntos da pauta do dia.
"Chutar o tempo, dentro do templo".

Ana Cristina César, o marco literário.

"O tempo fecha
Sou fiel aos acontecimentos biográficos.
Mais do que fiel, ah, tão presa! Esses mosquitos que
não largam! Minhas saudades ensurdecidas por
cigarras! O que faço aqui no campo declamando aos
metros versos longos e sentidos? Ah que estou
sentida e portuguesa, e agora não sou mais veja, não
sou mais severa e ríspida: – agora sou profissional."


Agora, sou profissional ! Uau !
Andiamo
pois a vida é imensa, e louca !
Ah.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Por Cristiano Psico

Não Deveria Se Chamar Amor
Paulinho Moska

O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor

Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme a que nunca assisti antes

Poderia se chamar labirinto
Porque sinto que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar a u r or a
Pois vejo um novo dia que está por vir

Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta mas sei que não é assim



Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado

Poderia se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer: aventureiro

Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Borboleta....

...Se ele era um sábio chinês
que sonhou que era uma borboleta
ou se era uma borboleta sonhando
que era um sábio chinês...(Raul)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

De uma coisa eu tenho certeza, que "o pôr-do-sol vai renovar, brilhar de novo o nosso sorriso..."

Acontecimentos bombas no fim-de-semana,empresários em pânico!

Pertencer a um bonde é uma arte:
para os sensíveis, os loucos e bêbados de Shaekespeare, os desolados,os camaleônicos e tobogânicos, os que estão em Download,os Admiradores de Geni, os que querem interagir com o mundo,com as pessoas, com as possibilidades. E é também um verdadeiro aprendizado.Parece até com aquele livro:
Um Aprendizado ou O livro dos Prazeres
de Clarice.

Um aprendizado de gente como os poetas e compositores, observadores do mundo, memorialistas, ficcionistas, e tantas pessoas sensíveis que - simplesmente - fotografam o mundo, participam de cursos e vivências de intensidades.

O olho é clínico.
A lente é afiada com o instante:
O instante sublime em que nasce a imagem.


A imagem é quente.Acabou de sair do forno.E o que seriam de nós,que usamos apenas 10% de nossa cabeça animalse não houvessem as fotografias? As nossas construções, os registros, os rituais de passagem,sobretudo, da COMPOSIÇÃO DO NOSSO APRENDIZADO,simples passo a frente na busca, aquela grande companheira que nos move. (E ainda nos molha, né Vida?)A TRAVESSIA Não saber o que tem do outro lado é que nós move?Num sei, num sei.
Mas dentro do CURSO, NO MÓDULO DE LA APRENDIZAGEM,
curiosei um novo tópico,uma aprendizagem:

AMOR FATI, Nietzsche



Amor fati é uma expressão latina cuja tradução livre seria "amor ao fado", "amor ao destino".
O significado da expressão varia conforme o entendimento dos termos fado e amor.
* A expressão aparece em Nietzsche, sendo usada como "fórmula para a grandeza do homem" e que significa:
"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo".
O termo aparece varias vezes em Gaia Ciência,
mas é neste trecho em particular citada de forma mais clara:
"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas.
"Amor fati" [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor" Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja ‘desviar o olhar’! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz sim."

Para Nietzsche, "amor fati" é amar o inevitável, amar o destino, amar o justo e o injusto, o próprio amor e o desamor. Ou seja,"ser, antes de tudo, um forte", sem se reclamar da vida, sendo indiferente ao sofrimento. Uma retomada do antigo pensamento grego dos filósofos estóicos."

Não sei, não sei.

Estou aprendendo.

Sabemos mesmo o que há no caminho?O real está é na travessia? E o que será que tem lá do outro lado ?
Inicei com Luis Melodia













e quero terminar com o Toninho Horta:



E no ar livre, corpo livre,aprender ou mais tentar
Iremos tentar, Vamos aprender, vamos lá!"

Manuel, o audaz
Vamos lá viajar.


Andiamo!

P.S: Dedicado ao Bonde MCL e ao Quarto Elemento
Maravilhoso.(que já pegou um...)



>

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

QUASE PASSADA !!!!

* MODERNIDADE * REVOLUÇAO DIGITAL * CASCOS CAOS MULTICOLORIDOS CÉREBROS * ARTE DE RUA * REVOLUÇÃO DOS SENTIDOS * PSICOTRÓPICOS * SARAU DE POESIA * ARTE NA RUA * ARTE NA CAMA * ARTE ARTE ARTE * POESIA HOLOGRÁFICA * CONTEMPORANEIDADE * SÉCULO 21 * PÔR-DO-SOL * JAZZ * R&b * SOUL MUSIC * AMOR VERDADEIRO * ESCÓRIA DO SISTEMA * APOLOGIA DO ABSURDO * GUARDE SEUS PENSAMENTOS MAIS IMPORTANTES * HISTORIA EM QUADRINHOS * DANÇAR NA PISTA * HARD CORE * RAGGA * DUB * BEAT BOX * POESIA NO MURO * POESIA NA CAMISETA * POESIA NA LINGUA*

Por Renato Falci Jr.

Por onde anda Isadora?

não lembro
faz tanto tempo
em uma foto talvez

a pouco passou por aqui
quem a viu foi embora
deixou apenas um rastro do sorriso

idéia que borbulha
e se mistura em seus cachos
prateados pela lua

por onde anda essa menina meu Deus?
lá pelas tantas dança
em seu teto a Via Láctea a protege
e desnuda subverte

No telhado de barriga pra cima
Olhos fechados, visões, ilusões, aspirinas, cosquinhas
Na esquina violão e vinho chapinha

Sua mão, seu punhal
alquimista das palavras
Transeunte das pautas

Não lembro quando
Foi meio displicente, casual
Isadora foi pular carnaval

Renato Falci Junior
01/11/2006

sábado, 5 de janeiro de 2008

KOANS, Histórias Búdicas

De um e-mail de Mário Fofoletudo: 33 % do Bonde e moderador do SARAU.

Koans


Por Wilson Bueno


Oito histórias búdicas em solidariedade aos monges que resistem ao regime ditatorial de Mianmar


Koans são microestórias búdicas, antiparábolas nas quais, através de esquivas “lições” iluminantes, o Zen se faz. Feito um jarro que, ao se espatifar no chão, ainda assim é um jarro inteiro desenhado no ar. Aqui, oito dessas torções de espírito, em solidariedade aos monges resistentes de Mianmar (antiga Birmânia).

1. Chuva e pó
– Mestre, para que servem as chuvas que alagam e arruínam os arrozais?
– Para que se mostrem chuvas em sua inteireza, meu jovem.
– Mas que inteireza, mestre, se elas acabam com o que temos de mais precioso – o nosso principal alimento...
– Justamente por isso, por serem o nosso principal alimento.
– Não entendo, Mestre.
– Só entenderá quando você mesmo chover sobre os arrozais.

2. O mendigo e a voz
O monge chegou a tal estado de devota mendicância que não desejou mais ter voz. Quando necessitasse dela a mendigaria ao primeiro passante. E assim permaneceu quase duas semanas. Para tudo, usava as mãos e os gestos.
Houve, contudo, o dia em que o monge-mendigo precisou da fala para recitar um antigo mantra búdico, e que só podia ser rezado de viva voz. Não hesitou e acercando-se de um velhinho que passava pela rua, com a mão na garganta fez entender que precisava falar.
– Falar?... – titubeou o ancião, a voz fraquíssima.
– Sim, falar, meu mestre ... – pediu o destituído monge-mendigo – a voz própria, forte e tonitruante.
Sem nada entender, o ancião encerrou a conversa:
– Mas pra quê, meu filho, se tens voz de sobra?
– Eu não tenho voz, mestre. Eu só tenho é um som forte e arrogante que me sai do fundo da garganta.
– Acredito... – assentiu, confuso, o velhinho, desguiando, claudicante, para o outro lado da calçada.

3. O vaso e a utopia
O jovem monge anda 70 quilômetros para ter com um mestre cuja fama já ultrapassou há muito as muralhas da cidade.
Exausto e os pés feridos pelo íngreme caminho que leva à árvore sob a qual o monge vive e medita no alto de uma montanha, o noviço, ao deparar com a magérrima figura, não perde tempo. Vai logo perguntando:
– Mestre, andei 70 quilômetros até aqui, pois fui informado de que és o único monge, em todo o Tibet, que sabe o que é o Zen.
Levantando-se com dificuldade, o velho monge apanha ao seu lado um vaso onde guarda a água da chuva. Ergue-o o mais alto que pode e deixa que caia ao chão. Estrépito, a argila a estilhaçar-se, a água entornada à terra.
– Então isto é o Zen, mestre?
E o mestre que até então não dissera uma só palavra, responde, quase solene:
– Não, meu filho. Isto não é o Zen.

4. A lágrima
O discípulo, flagrado em grave crise espiritual, tenta, do Mestre, esconder as lágrimas.
– Há coisas, Mestre, que nos fazem chorar de rir...
E todo se sacudia num pranto convulsivo, incontrolável, num inconvincente esgar de riso, tentando administrar, ao menos frente ao Mestre, o férreo orgulho.
Olhando-o firme, dentro dos olhos, o Mestre, sem esforço verte abundante lágrima, ausente dele, como é comum no Tibet, o mínimo crispar de um só músculo do rosto.
– Mestre, estás chorando?
– Estou, estou sim.
– Mas de quê, Mestre?
– De vosso riso tão extraordinariamente copioso...

5. A sede
Correu por todo o Kinpur a notícia de que um iluminado hindu se encontrava em “estado de orgasmo” ininterruptamente há mais de duas semanas, num mosteiro zen próximo a Ayantavar, no sul da Índia.
Benien, jovem monge recém-admitido entre os andarilhos-pedintes -uma espécie de “ordem” tão rigorosa que era incapaz de aceitar até mesmo os mais famosos Mestres, justamente porque eram famosos e isto, segundo eles, constítua sério empecilho-, pois o jovem pediu permissão para uma viagem a Ayantavar, com o exclusivo propósito de conhecer o monge em gozo orgásmico há duas semanas seguidas.
– Seguirei anônimo e voltarei ainda mais anônimo – comunicou ao Mestre, acrescentando que, desse modo, provavelmente arrrancaria do iluminado monge o segredo de seu espantoso orgasmo.
– E para que aspiras a tamanho orgasmo, Benien? – perguntou-lhe o superior, com um rir de olhos que era pura malícia e ainda mais pura sabedoria.
– Ora, Mestre, e alguém por acaso não o desejaria?
– Benien, o sábio de Ayantavar, precisamente ele já não o deseja mais...
– Como assim? – perguntou o jovem.
– Há mais de três dias que o iluminado hindu faleceu para esta encarnação, Benien.
– Morreu? De quê?
– De sede, Benien. Ninguém fica duas semanas sem beber água...

6. As sombras
– Mestre, por que o Avatar Supremo permite a morte, muitas vezes horrível, das crianças da Terra?
– Porque não é o Avatar Supremo que a autoriza.
– Quem autoriza, então?
– A morte só mora onde reina a sombra do coração humano.
– E então, por isso, o Avatar Supremo está isento de culpa, Mestre?
– Culpa Ele tem, mas só uma -a de haver criado o coração humano.

7. O vôo dos pombos
Nos intervalos dos exercícios com o arco-e-flecha, o Mestre treina o discípulo num jogo mágico:
– Eis nova revoada de pombos. Fixe-os bem na memória e depois feche os olhos.
– Fixei, Mestre e já estou com os olhos fechados! Quanto tempo devo permanecer assim?
Depois de esperar alguns minutos, apressa em pedir que o discípulo abra os olhos novamente.
– Agora, me diga, quantos pombos havia no céu?
– Quinze, Mestre! Se não erro, quinze!
– Estes são os teus quinze pombos porque os meus são trinta.
– E quem de nós está certo, Mestre?
– Certamente nenhum de nós. Cada qual contou os pombos que lhe interessavam...

8. O diamante azul
O jovem monge procura por todo o Tibet uma estátua do Buda que, sendo oca, abriga dentro um diamante azul. Menos por seu valor comercial do que, claro, pelo que possa representar de inédita e absoluta descoberta mística, o jovem monge decide se dedicar a esta busca quase como um projeto de vida.
Guarda consigo a certeza de que, encontrando o diamante azul no interior do Buda, terá encontrado junto a resposta a todas as suas indagações, a serenidade no fundo do poço de toda angústia, um sol que seja na furiosa tormenta.
Muitos anos se passam até o dia em que o jovem monge, não mais tão jovem assim, topa com o velhíssimo Nguyo Ling, poeta viageiro, Mestre de haicai e zen, que, por sua vez, também procura o Buda oco com o diamante azul.
– Há quanto tempo o jovem procura pela “resposta”?
– Há uns vinte anos, se não erro o tempo das nevascas quando não sabemos se dia ou noite e nos enganamos na contagem das horas.
– Pois eu, meu filho, procuro o Buda oco com o diamante azul há mais de meio século evitando sempre as montanhas geladas de nosso país, pois poderia perder nelas a contagem das horas...
– E o que tem isso com encontrar ou não encontrar o Buda? – pergunta o discípulo.
– Tem que o Buda oco com o diamante azul só se revelará a quem o busca, de modo surpreso e repentino – responde o Mestre.
– Então, nesse caso, melhor esquecer as horas...
– Não, meu jovem, não. Quem esquece as horas, e não sabe se dia ou noite, nunca será surpreendido...
– Não entendo. Não é justamente o contrário?
– A surpresa é irmã siamesa da rotina. Sem a viagem comum dos dias, nunca jamais o de repente, o súbito e o inaudito. Só quem se dedica a viver o prosaico estará sempre descobrindo o sublime.
– E então por que o Mestre não encontrou, até agora, o Buda oco com o diamante azul?
– Ora, ora, meu jovem... Então você não sabe que o Buda oco com o diamante azul nunca existiu?